Portugal Infinito, onze de junho de mil novecentos e quinze...
Hé-lá-á-á-á-á-á-á!
De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro,
Saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo,
Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado,
Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt,
Não sou indigno de ti, basta saudar-te para o não ser...
Eu tão contíguo à inércia, tão facilmente cheio de tédio,
Sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te,
E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias,
Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente.
Sei que me conheceste, que me contemplaste e me explicaste,
Sei que é isso que eu sou, quer em Brooklyn Ferry dez anos antes de eu nascer,
Quer pela Rua do Ouro acima pensando em tudo que não é a Rua do Ouro,
E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas,
De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma.
[...]
Analiso cada frase,cada letra, como se esse poema fosse um ser humano, constituído de muitas partes enigmáticas, em icognitas...Fernando Pessoa passa nesse poema,um drama,alguma coisa de gótico, um pouco da 2°geração romântica, misturado com um bucolismo. A riqueza de detalhes da época, gosto de uma frase que diz "Toda boa história tem que ter um fundo histórico", ela deixa transparecer esse fundo histórico, emfim, "De mãos dadas... dançando o universo na alma".
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